Museu da Casa Brasileira

Museu da Casa Brasileira abre exposição “Um novo cardume” com luminárias-esculturas inspiradas na tradição koinobori

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Abertura: 27 de maio2008, às 19h30 Visitação: 28 de maio a 6 de julho

As luminárias-esculturas de Lucas Isawa, artista que transita com fluência pelas diversas manifestações das artes visuais, compõem a mostra “Um novo cardume”, a ser realizada no Museu da Casa Brasileira, da Secretaria de Estado da Cultura, com curadoria de Marcelo Suzuki. Criadas a partir da tradição koinobori, quando uma carpa colorida de tecido ou papel tremula contra o céu e parece nadar contra a correnteza, cada peça desperta um fascínio. A mostra também oferece a rara oportunidade de admirá-las agrupadas, o que gera uma percepção de conjunto incomum e surpreendente. Os diferentes grupos formam composições, como se nadassem em aquários separados. Ao mesmo tempo integram uma escultura maior, quase única. Com a mostra “Um novo cardume”, o MCB se integra às comemorações oficiais do Centenário da Imigração Japonesa.

“A tradição técnica de execução de lanternas japonesas é repassada com liberdade e experimentação formal de expressiva criatividade, em especial no seu design”, diz Lucas Isawa. “São objetos mutáveis, seja através da brisa que os faz mudar de posição, seja através da luz, realçando a estrutura, leveza e transparência de peixes e animais marinhos em três dimensões”.

Suas luminárias partiram das carpas presentes nas festas e tradição de jogos de crianças, trazidas para o Brasil pelos imigrantes japoneses. Mas, para fazer as luminárias, logo passou por uma evolução, pois seu olhar e, principalmente, suas mãos apreenderam a estrutura como algo por si, independente da volumetria que resulta da forração de papel. E esse conhecimento levou à liberação do volume em relação às peças estruturais de bambu amarrado.

“A nova relação volume-estrutura leva também ao distanciamento do objeto resultante de sua referência inicial, sejam peixes, animais marinhos e outras quaisquer, nos levando à leitura da escultura-luminária por si só”, explica o curador Marcelo Suzuki. “Mas o objeto ainda assim é mutável, seja porque uma leve brisa o faz mudar de posição, o que remete inevitavelmente a um Calder, seja porque quando a luz está acesa predomina a estrutura, a transparência e a leveza, seja porque quando apagada predomina massa e volume. Esta mostra apresenta um artista verdadeiramente multidisciplinar, acostumado com a cizânia da arte moderna e o mundo, com o objeto e sua utilidade”.

A larga experiência de Lucas Isawa também na área de design de interiores reforça sua competência para a produção das luminárias-esculturas e a proposição dos diferentes efeitos luminotécnicos de cada uma, o que demonstra a enorme abrangência de suas diversas atuações. É um artista que transita com fluência pelas diversas manifestações das artes visuais. Seu trabalho demonstra extrema capacidade de separar com segurança desenho e pintura, no sentido estritamente técnico do que significa essa separação primordial, atuando com destreza ambos fundamentos. Seja com base em um firme desenho ou na coordenação do olhar, de pintor, transita com a mesma facilidade para as três dimensões de suas luminárias-esculturas. Há, sem dúvida, grande importância na influência de sua formação dentro da cultura familiar japonesa, que carrega um olhar capaz de captar abstrações do próprio cotidiano, gerando imagens novas tiradas daquelas que a rotina e o costume acabam nos ocultando.

Tradição Koinobori

No Japão, famílias com filhos homens hasteiam, no dia 5 de maio, sobre um mastro de bambu, o Koinobori, que é uma carpa colorida de tecido ou papel. Quando o Koinobori é visto tremular junto ao céu azul tem-se a impressão de estar vendo uma carpa nadando contra a correnteza. O Koinobori representa o Dia dos Meninos, e a carpa é um símbolo de força, persistência, bravura e sucesso. Esse peixe consegue nadar e subir correntezas e cataratas sem a ajuda de ninguém, e numa fábula chinesa, a valente carpa se transforma num dragão no final da escalada. Os atributos que a carpa simboliza parecem virtudes militares (persistência, coragem, sucesso), e de fato, ela está em algumas lendas que falam de guerras ocorridas num período remoto, tanto é que nos santuários do deus da guerra, Hachiman, são distribuídos amuletos em forma de carpa. A prática de hastear o Koinobori surgiu no século XVII entre os plebeus urbanos, que resolveram apresentar uma alternativa ao costume dos samurais de exibirem suas armas e armaduras no Dia dos Meninos. Além de ser mais simples, a carpa de tecido simbolizaria os mesmos valores pretendidos pelos guerreiros sem ser tão ostensivo. As duas formas de celebrar a data foram mantidas por muito tempo. Mesmo atualmente, além do Koinobori no lado externo da casa, os meninos devem expor dentro de suas casas, miniaturas de bonecos de guerreiros, com armadura, arma e capacete.

Site: www.mcb.sp.gov.br

Local: Museu da Casa Brasileira – Av. Faria Lima, 2705 – Tel. 11 3032-3727

Jardim Paulistano São Paulo

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